Importante: o conteúdo aqui apresentado de modo algum pretende substituir o aconselhamento médico ao longo da gestação, mas sim oferecer informações complementares baseadas em pesquisas e experiências pessoais. O acompanhamento pré-natal é imprescindível durante a gestação, preferencialmente com um médico de sua confiança.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Davi Henrique, meu filho, meu anjinho protetor


E a minha linda história de muito amor começou assim:

Desde pequena falava que queria engravidar somente aos 30 anos, com uma vida mais estabilizada, para dar o melhor que pudesse aos meus filhos. E foi assim, com 30 anos, em agosto de 2013, comecei a planejar minha gravidez para o final do ano, em dezembro. Fui ao médico para fazer tudo certinho e receber as orientações. Pois bem, fiz uma ultrassonografia e li que tinha ovários polifoliculares, então inocentemente pensei: não vou conseguir engravidar fácil. 

Em setembro de 2013, comecei uma dieta, queria ficar bem magra antes de engravidar no final do ano. Pois esse pode ter sido um dos problemas, dei uma vacilada por acreditar no exame dos ovários polifoliculares e na primeira vacilada em 9 anos de relacionamento engravidei de primeira. Estava de dieta, sem tomar acido fólico, enfim, um mês depois comecei a passar muito mal, minha menstruação atrasou, fui fazer exame e POSITIVO.

Fiquei feliz, adiantou 3 meses do que eu queria, mas era para ser... 

Tive alguns problemas no começo, um pequenino descolamento ovular, tive que ficar de repouso até 2 meses, mas nada muito preocupante. Finalmente veio o ultrassom morfológico, o pior dia da minha vida. Estava muito feliz vendo meu filho pular na minha barriga, não parava um minuto, mas o médico demorava muito e fazia caras feias... Eu percebi que tinha algo errado, então ele me disse: "Seu bebe tem ACRANIA, o que vai levar a ANENCEFALIA, e consequentemente a incompatibilidade com a VIDA!" 

Saí de lá arrasada. Todos os médicos que fui pediram para eu tirar meu filho, que sobrecarregaria o meu corpo, que iria sofrer depois e um monte de conversa. Eu não absorvi nada do que falavam, pois dentro de mim estava meu filho, meu sangue, carne da minha carne, eu nunca falaria NÃO à VIDA do meu filho!!! Só de pensar nisso me sentia a pior pessoa do mundo, e assim resolvi manter minha gravidez. Fui atrás de outras mães com o mesmo problema, encontrei a Joana, que me apresentou ao grupo do facebook Vida Acrania, e ali encontrei a maior das forças. Fiz grandes amizades, aprendi a amar cada dia com meu filho na minha barriga. 

Para muitas mães, o normal é elas não verem a hora de chegar o dia do nascimento, mas para mim era diferente. Se pudesse, estaria com ele até hoje na minha barriga! 

Tive aumento de liquido (polidrâmnio) com 30 semanas. Sofri muito com dores, pois a barriga ficou enorme, mas aguentei firme até onde consegui. Não quis em momento algum adiantar o parto, queria que a natureza se encarregasse de fazer o que tinha que ser feito. Com 34 semanas e 5 dias minha bolsa estourou, fui para o hospital às 2h da manhã, fiquei em trabalho de parto até o meio-dia. Os médico me davam remédio para o útero segurar a dilatação, pois no entendimento deles teria que ser cesárea e acabou! 



Minha médica não chegava, estava há quase 10 horas em trabalho de parto e nada, ela chegou às 11h (um absurdo), mas enfim, às 12h03min meu filho veio ao mundo. Foi uma mistura de emoções muito grande. Me mostraram ele e o levaram para a UTI NEO. Ele era prematuro, porém era comprido e tinha 1660kg, era um bebezão para 34 semanas. Fui para a pós-anestesia e depois de 2 horas trouxeram ele para me despedir, pois ele estava ficando fraquinho. Peguei ele no colo, ele piscou, chorei muito com ele no meu colo... Agradeço às enfermeiras do Santa Joana que tiveram essa sensibilidade de trazê-lo até mim, para poder tocá-lo e senti-lo. Duas horas e trinta minutos depois, ele foi para junto de Deus.

Eu agradeço muito ao meu filho, ele me fez uma pessoa muito melhor, hoje sou outra pessoa, sem preconceitos, aprendi a dar valor para pequenas coisas!! 

Faz 5 meses que ele se foi, hoje a saudade toma conta do nosso coração, mas o amor e a sensação de dever cumprido é maior que tudo!!!




Davi Henrique, meu filho, meu anjinho protetor, te amo pra sempre e um dia vamos nos encontrar e ficar para sempre juntos!!!!


Viviane Roeher, São Paulo, SP

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