Importante: o conteúdo aqui apresentado de modo algum pretende substituir o aconselhamento médico ao longo da gestação, mas sim oferecer informações complementares baseadas em pesquisas e experiências pessoais. O acompanhamento pré-natal é imprescindível durante a gestação, preferencialmente com um médico de sua confiança.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Julia Maria, nossa maior riqueza


Olá Mamães e Papais...

Sou Ana Carolina, noiva do papai Tiago Almeida. Tivemos nossa princesa no ano passado. Nossa história começa no dia 24/05/2013, quando descobrimos que iríamos ganhar um bebezinho. O medo tomou conta de nós por alguns segundos, mas o coaração se encheu de alegria logo depois. Já estava com quase 2 meses, não desconfiamos porque outros exames tinham dado negativo.

Enfim, começamos a imaginar como seria nosso bebezinho. Eu iria ser Mãe, que alegria! Fomos às consultas e fizemos os primeiros exames. Tudo normal e tranquilo. Mamãe sem enjoos, seguindo feliz e radiante. Toda semana tirávamos fotos da barriguinha que ia crescendo rapidamente. Em todas as consultas, mamãe e papai esperavam ansiosos para poder escutar o coração do nosso bebê.

Com 24 semanas, já não aguentava mais de tanta curiosidade para saber se era menina ou menino. Até que no dia 13/07/2013 às 10h30, íamos saber se estava vindo a Julia ou o Renato.

Que alegria, mal consegui dormir à noite... Papai não poderia estar no exame, então foi a minha mãe, que já tinha certeza que era a Julinha ("a Julinha dela").

Na hora do exame a ansiedade tomava conta, estava até me dando dor de barriga (risos). Entramos na sala. Uma salinha escura com um médico e uma assistente. E logo começou o exame. O bebê mexia muito, não conseguia entender nada do ultrassom, conseguia apenas ver o coração que batia acelerado. Estava filmando tudo para mandar para o papai em tempo real, assim iria saber junto.

Até que ouço: Encontrei um probleminha com o seu bebê.

Meu Deus, e agora? Que "probleminha"? "Não encontrei o cérebro", responde o médico. Não sabia nada do diagnóstico. E perguntava: "Como eu faço, tem cirurgia, o que posso fazer para salvar meu bebê?" (ainda não sabia qual era o sexo). Sem muito pensar ele me responde: "Nada, seu bebê não tem nenhuma chance de vida".

Meu mundo caiu...

Extremamente nervosa, minha mãe pergunta, mas o que é o bebê... Sem nenhum pingo de compaixão ele para e responde... "Ahh, é uma menina..."

Minha princesa iria morrer... Meu mundo caiu. Até que a notícia chegou ao meu noivo e à minha sogra, todos na clínica nervosos e chorando, com um único pensamento: Meu Deus, que esteja errado esse diagnóstico.

Enfim, não estava. No dia 16/07/2013, mais uma vez uma ultra para poder tirar as dúvidas. Mas não restavam mais dúvidas, meu bebê tinha anencefalia. O que fazer agora, parar com a gestação como o médico sugeriu?

Não, continuamos seguindo em frente, e a cada dia íamos nos fortalecendo e aumentando nossa fé. Tiramos fotos, cantamos, montamos o quartinho dela... Nossa Julia Maria iria chegar e tínhamos que esperar a chegada dela. Seguimos com a gestação, que foi uma gestação normal e feliz.




Estava tentando me internar com 39 semanas, mas o hospital se recusava a me aceitar, por não ser da minha cidade. Com 41 semanas conseguimos, iríamos receber a nossa tão amada Julia Maria Faria de Almeida.

No dia 10/11/2013 nasceu a mais bela flor do nosso jardim. De parto normal, pesando 3,160 kg, com 47 cm de pura sedução e dobrinhas. Tão linda, tão branquinha... Que sonho, ali nasceu um amor que não tem palavras, com poucos segundos de vida eu já morreria por ela. 



O medo do que iria acontecer era enorme... Papai entrou para conhecer nossa boneca, as vovós corujas também e mesmo o hospital não permitindo, entraram a madrinha e padrinho, pois sabíamos que sua chegada já seria também sua partida...

Eu sem poder levantar, tinha perdido muito sangue e me sentia mal, com a pressão muito baixa, não conseguia ir à UTI ver minha pequena. Mas enquanto a enfermeira não chegava no quarto, sabíamos que estava tudo bem.

Passamos a noite sem saber o que acontecia com a minha princesa. No outro dia acordei cedo e fui ver minha filha. E ela estava lá, tão linda, tão gordinha! Estava me esperando, conversei, rezei com ela, beijei... Que emoção. Ficava o tempo todo com a minha boneca. E assim se repetiu por lindos e maravilhosos 18 dias.

Mamãe e papai estavam ali todos os dias, o todo tempo cuidando, amando e aprendendo com a nossa guerreira. Pudemos carregar, cantar, beijar e rezar. Rimos muito com a nossa princesa, bravinha porque não gostava de tomar banho e uma comilona que só pensava em mamar e mamar.


No dia 28/11/2013, sua missão se encerrava aqui na terra e começava lá no céu... Às 17h15, nossa Pipoquinha voltou pra sua casa.

Mamães e papais, esse foi um resumo da nossa história de amor, dedicação e fé com a nossa maior riqueza, que foi e é a nossa Julia Maria Faria de Almeida.

"Anjos não morrem, apenas voltam para suas casas"

Ana Carolina Faria e Tiago Almeida
de Boituva, SP


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