Importante: o conteúdo aqui apresentado de modo algum pretende substituir o aconselhamento médico ao longo da gestação, mas sim oferecer informações complementares baseadas em pesquisas e experiências pessoais. O acompanhamento pré-natal é imprescindível durante a gestação, preferencialmente com um médico de sua confiança.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Camile Vitoria, minha princesinha


Meu nome é Simone Visnheski dos Santos, sou de Brusque, Santa Catarina. Em abril de 2002 descobri que estava grávida, fiquei muito feliz, pois era minha primeira gestação. Só consegui fazer minha primeira ultrassom com 6 meses. Fui ao consultório onde a médica me examinou e me disse que não conseguia ver meu bebê por completo. Ela explicou que talvez fosse o aparelho dela que era pequeno, pois ela via o corpo, mas não via a cabeça. Aí já me assustei: "Como minha filha não tem cabeça se ela se movimenta dentro de mim?" Mas ela tornou a falar: "Meu aparelho é pequeno, vou encaminhar você a outro médico". 

Fui e na semana seguinte fiz uma nova ultrassom. O médico que me examinou perguntou se eu gostaria de saber o sexo do bebê. Falei que queria e ele me disse: "É uma menina". Nossa, fiquei feliz da vida, pois era o que eu imaginava. Mas ele me falou: "Tenho outra noticia, e essa não é das melhores". Quando ele falou isso, minha vida parece que tinha acabado, pensei: "minha filha não tem cabeça mesmo". Ele tentou me acalmar, mas eu não parava de chorar. Aí ele me disse: "Sua filha não vai sobreviver, é uma criança com anencefalia, crianças assim não sobrevivem". Nossa, entrei em desespero, o mundo naquele momento acabou pra mim. Ele me disse: "Você pode abortar, pois não adianta levar uma gestação desse tipo adiante". Mas nem pensei, falei para ele: "Vou levar adiante, tenho muita fé que no final tudo dará certo". 

Eu e meu esposo saímos do consultório e fomos falar com minha ginecologista. Ela me disse: Realmente sua filha não vai sobreviver, mas vou apoiar você na sua decisão. Fiquei feliz por ela me apoiar, pois procurei ajuda de outros profissionais, mas todos os exames deram iguais. Pensei: "Meu DEUS, por que isso comigo?" 

Tive o apoio de toda a minha família, nos momentos bons e nos ruins, até chegar o grande dia da minha amada princesa Camile Vitoria nascer. No dia 16/01/2003 ela veio ao mundo por uma cesariana. Quando chegou o dia, fiquei com muito medo de saber que eu nunca mais iria ver minha princesinha, mas DEUS foi maior e deixou ela 4 dias ainda comigo. Quando vi aquele lindo rostinho, não me contive e as lágrimas vieram rosto abaixo, por saber que eu iria sair daquele hospital sem minha anjinha. Dois dias depois ganhei alta e ela ficou, e com quatro dias de vida ela faleceu, em 20/01/2003. Chorei muito, pois é uma dor muito grande. Depois fui superando a dor, mas claro que nunca vou esquecer dela. Em 2005 tive mais um filho, saudável e lindo, hoje ele está com 8 anos, e em 2008 tive mais um menino, hoje com 5 anos. Eles são lindos e hoje me sinto feliz.


PERDER UM FILHO... É como acordar e ver que tudo não passou de um sonho; É como voltar de marcha-ré todo o caminho já percorrido; É voltar a ser uma pessoa comum, depois de um tempo se sentindo especial; É ter que esperar passar o tempo para sentir-se melhor; É sentir que tudo ficou sem graça, É saber que isso acontece com muitas pessoas, mas não se sentir aliviada por não estar sozinha; É sentir solidão por haver acostumado a vê-lo todos os dias; É procurar a causa da perda, mesmo sabendo que muitas vezes não dá para encontrar; É ter acreditado que comigo não aconteceria esse imprevisto; É conhecer mulheres na época da gravides e vê-las com seus filhos no colo e o seu não estar mais ali; É sofrer sozinha apesar do apoio da família e dos amigos; É ter que encarar de frente a sensação de incompetência; É ter a paciência de esperar o que o destino está guardando; É sorrir, mesmo o coração estando em pedaços e ter que caminhar com a saudade infinita no peito!


Dia 20/01/2014 fez 11 anos que você se foi, ainda lembro de você, imagino como você seria agora. Já se passou muito tempo, mas sempre lembro da minha princesinha. Sei que muitos já esqueceram, mas eu não. A essa hora eu estava tão vazia, já tinha passado pelo parto e vi tantas mães com seus bebês no colo e eu sozinha com minha dor. Saí da maternidade sem você, com certeza nunca me senti tão triste. Depois ter que enterrar um pedaço do meu coração e passar por longos dias e noites vazias, sem graça, sem vida. Um silêncio que vem da alma, uma dor que eu gritava, não só na alma, eu sentia dor física, dor no peito, no meu coração. Ver meus seios vazando leite e não ter um bebê para amamentar, olhar as roupinhas e sentir seu cheiro, sem mesmo você nunca ter vestido, encarar as pessoas na rua perguntando: ''Cadê a bebê?'' e eu buscando força pra dizer que ela não estava mais aqui. Foi a maior dor da minha vida, mas foi um tempo de muito aprendizado e hoje peço perdão a Deus pelas vezes em que eu achei que ele me abandonou, quando na verdade, Ele já tinha seus propósitos, porque Ele é perfeito e o tempo mostra que o Senhor não desampara seus filhos. 

Obrigada, Senhor, até mesmo pela provação, porque se não fosse isso, hoje eu não daria tanto valor à maternidade quanto dou. Sei que minha princesa Camile Vitoria que partiu com anencefalia está ao lado do Pai, sei que ela já alcançou a salvação e eu buscarei para que se Deus permitir um dia eu me encontre com ela na glória.

Simone Visnheski dos Santos, de Brusque, Santa Catarina

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