Importante: o conteúdo aqui apresentado de modo algum pretende substituir o aconselhamento médico ao longo da gestação, mas sim oferecer informações complementares baseadas em pesquisas e experiências pessoais. O acompanhamento pré-natal é imprescindível durante a gestação, preferencialmente com um médico de sua confiança.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Beatriz e Felipe, resgatando o amor

Construindo lembranças para recontar a história da família (Imagem: arquivo pessoal / Valeria Souit)


Participar deste depoimento é algo que me traz uma nova postura de vida, pois é conseguir colocar a minha opinião, mesmo que tardia, em prática. Pretendo com isso ajudar a mães, familiares, médicos, enfim, todas as pessoas envolvidas nesse processo que é descobrir que uma gestação é de um feto anencéfalo.

Quando hoje eu escuto alguém dizer: "O melhor é interromper a gestação, pois levar adiante é um trauma para a mãe", eu me pergunto como eu vou fazer para mostrar que a interrupção me trouxe um trauma com culpa que se arrastou por 19 anos. Essa culpa está perdendo espaço depois de muita terapia, e também após ter me juntado ao Grupo Vida Acrania e Anencefalia. Aprendi como é importante que os sentimentos sejam expostos e percebi que este diagnóstico é realmente muito doloroso, mas quando é aceito, a recuperação dessas mães se torna possível.

É preciso aceitar e amar nossos filhos. Toda história tem que ter um começo, um meio e um fim. Acompanhando as histórias de outras mães, pude perceber que o que me faltou foi vivenciar o amor, esperando meus filhos nascerem. Sim, eu tive dois bebês anencéfalos. E como me fez falta tocá-los, dizer o quanto eu os amava, me despedir deles com dignidade e sepultá-los.

Fazer parte desse grupo é desejar do mais profundo do meu coração que toda mãe que passar por esse diagnóstico pense e repense antes de interromper sua gestação, se não estiver REALMENTE correndo risco de vida.

Viver esse amor é tudo que hoje eu gostaria. Vou tentar fazer um resumo das minhas gestações.

sábado, 17 de agosto de 2013

Samuel: uma história de amor e fé


Lembranças especiais da gestação: Hudson e Elaine com seus filhos Emanuel (esquerda) e Samuel, na barriga da mamãe (imagem: arquivo pessoal da família)

Nosso primeiro filho, Emanuel


Deus tem projetos para nossas vidas que muitas vezes não entendemos na hora, mas ao longo dos dias tudo vai se encaixando. Quando casamos, há 16 anos, pensamos primeiramente em nos estruturar, ter uma boa casa, um bom serviço e assim depois pensar em ter filhos. Cinco anos depois, já estruturados, pensamos ser o momento, mas tentamos por vários meses sem êxito. Fomos ao médico e ele nos pediu alguns exames. Descobrimos então que o Hudson tinha varicoceles e isto atrapalhava bastante. Foi duro, mas lutamos, fizemos tudo que estava ao nosso alcance, cirurgias, remédios e nada. 

Alguns amigos sempre nos falavam sobre a adoção. Mas não foi fácil colocar no coração, pois precisava ser de coração. Após um bom tempo de orações, Jesus colocou em nosso coração que seria bom tentarmos. Então partimos para adoção. Ah!!!! Mas foi um caminho difícil, doloroso, tivemos que ter muita paciência e o principal, Deus sempre à frente, pois é Ele que conduz colocando pessoas, gosto de falar de anjos em nossas vidas. Foram várias crianças que apareceram para nós, mas na hora H, por algum motivo não dava certo. Mas sabíamos que Deus com sua bondade preparava para nós um filho, como o seria e de onde viria.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Laura Vitória, lição de um verdadeiro amor

Lembranças especiais da gestação da Laura Vitória (imagem: arquivo pessoal)

Todas nós mulheres sonhamos em ser mãe, e esse meu sonho foi realizado, fiquei grávida e fiz tudo que tinha para fazer, comecei o pré-natal e logo na segunda ultra que foi pedida descobri que era uma menina, fiquei muito feliz pois meu sonho era ter uma menina. Mas logo veio a noticia ruim de que ela tinha anencefalia. 

Foi muito triste. Procurei especialistas e todos diziam que ele não tinha chances – podia viver dias, horas ou já nascer morta. Anencefalia é incompatível com a vida, não existe nada que se possa fazer, mas eu ainda tinha fé de que Deus poderia fazer algo. Mas sempre Deus tem o melhor e sabe o que faz. É anencefalia, o crânio que não havia se formado, e ela não teria possibilidade de viver fora da minha barriga, pois uma criança sem cérebro não consegue ao menos respirar sozinha. Por isso me deram a opção de eu fazer um aborto legal, mas eu não quis, resolvi ir até o final sabendo dos riscos que eu corria, acreditando que tudo tem um por quê.

A história da nossa filha, Cecilia Morais





Dia 14/07/2013 fez um ano que a nossa Cecilia nasceu e partiu. Posso afirmar (e reafirmar) que foram 365 dias de lembranças e saudades daqueles outros 236 dias da sua gestação e mais ainda dos 39 minutos em que a tivemos viva em nossos braços, amando-a e nos despedindo também. Inesquecível é a palavra que a define, literal e completamente.

Desde o primeiro momento que descobri estar grávida, mudei e apesar de já ser mãe e saber que essa é minha melhor parte, as sensações que me acometeram foi desde a preocupação intensa, medo, misto de felicidade, realização, expectativa, até o maior amor do mundo, tudo isso intenso e misturado. Minha primeira filha Nina teve uma ligeira complicação ao nascer, com 41 semanas, ela engoliu mecônio e vivenciamos o milagre dela ter se recuperado bem e não ter tido nenhuma sequela. Como mãe, automaticamente me veio toda a carga de amor e de preocupação, que nos é típica.

Angelia, meu anjo com anencefalia

Compartilhamos abaixo o relato de Candice sobre a vida de sua filha Angelia, diagnosticada com anencefalia com 20 semanas de gestação. O relato foi publicado no grupo de apoio Anencephaly Info, e traduzido do inglês com a permissão de Candice, que expressou o desejo de oferecer apoio e esperança a outras famílias que venham a viver esse diagnóstico.


Eu recebi a notícia de que minha filha tinha anencefalia quando eu estava com 20 semanas de gestação, e me deram a opção de antecipar o parto ou continuar com a gestação até que eu estivesse pronta. Antecipar o parto nunca passou pela minha cabeça, então eu fui a internet procurar histórias sobre pais que decidiram continuar com a gestação. Me deparei com o site Anencefalia Info, e li todas as histórias.

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