Importante: o conteúdo aqui apresentado de modo algum pretende substituir o aconselhamento médico ao longo da gestação, mas sim oferecer informações complementares baseadas em pesquisas e experiências pessoais. O acompanhamento pré-natal é imprescindível durante a gestação, preferencialmente com um médico de sua confiança.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Maria Tereza, um sinal de vida e de esperança para nossa família

Recentemente estive na sede da Estação Luz Filmes, em Fortaleza, e me deparei com um quadro contendo uma carta escrita por Ana Cecília, mãe da Maria Tereza, que nasceu em Fortaleza com anencefalia e viveu, além do tempo da gestação, por pouco mais de 3 meses após seu nascimento.



Senhores Ministros,

Como mãe de um bebê anencéfalo, nascido em Fortaleza, e que teve sua vida acolhida e respeitada desde o princípio da gestação, mesmo sabendo de sua má formação, quero que esta corte reflita e decida sempre pela vida.

Vivi esta realidade como mãe de Maria Tereza, bebê anencéfalo, nascida no dia 17 de dezembro do ano 2000. Hoje experimento uma liberdade interior surpreendente, consciência limpa e tranquila diante de meus filhos e de todos. Com muita liberdade faço conhecer que a pequena Maria Tereza foi um sinal de vida e de esperança para toda a minha família.


Minha gravidez transcorreu normalmente. Maria Tereza nasceu, chorou forte, admiraram-se os médicos. Seu caso foi considerado muito grave, não havia nenhuma proteção de pele em sua cabeça. Aguardávamos a qualquer momento o seu falecimento.

Passaram-se minutos, horas, dias... E a pequena Maria Tereza vivendo... Foi contemplada por muitos, interpelava as consciências. Como seria possível? Com 19 dias, recebemos alta hospitalar e Tereza foi acolhida em seu lar. Foi alimentada inicialmente por sonda, depois tomava leite materno por colherinha e mamava por alguns minutos. Meus outros filhos cuidavam dela, tomavam-na nos braços, ajudavam-me a banhá-la. Sabiam que sua vida seria breve, mas aprenderam a respeitá-la e amá-la. Foram preparados que passariam pela dor da perda, porém com a dignidade que esse mistério comporta. Aos 29 de março de 2001, Maria Tereza realizou sua páscoa.

Dizem que os bebês anencéfalos sofrem quando nascem. Será que é um sofrimento maior do que ser arrancado aos pedaços no aborto por sucção, onde o feto é literalmente dilacerado?

Por vezes escuto as seguintes palavras: “Não podemos generalizar, cada caso é um caso, existem mulheres que não resistiriam e não conseguiriam passar como você”. Desculpem-me discordar, mas a dignidade de dar a vida e de recebê-la é para todos e não podemos relativizar algo absoluto que é a vida.

Senhores ministros, especialmente, ao ministro Marco Aurélio, relator da matéria. O bem supremo é vida e os senhores juraram defendê-la quando fizeram o juramento constitucional. 


Ana Cecília Araújo Nunes Silva
Fortaleza, Ceará




Nota:  A carta foi escrita aos ministros do Supremo Tribunal Federal por ocasião da ADPF54, (Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental), que previa a legalização do aborto de bebês com anencefalia pelo STF, alegando que crianças com anencefalia não têm vida e portanto não precisam ter suas vidas protegidas contra o aborto. como prevê a Constituição Brasileira. Essa ação foi julgada e o aborto autorizado em 12/04/2012.

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