Importante: o conteúdo aqui apresentado de modo algum pretende substituir o aconselhamento médico ao longo da gestação, mas sim oferecer informações complementares baseadas em pesquisas e experiências pessoais. O acompanhamento pré-natal é imprescindível durante a gestação, preferencialmente com um médico de sua confiança.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Angelia, meu anjo com anencefalia

Compartilhamos abaixo o relato de Candice sobre a vida de sua filha Angelia, diagnosticada com anencefalia com 20 semanas de gestação. O relato foi publicado no grupo de apoio Anencephaly Info, e traduzido do inglês com a permissão de Candice, que expressou o desejo de oferecer apoio e esperança a outras famílias que venham a viver esse diagnóstico.


Eu recebi a notícia de que minha filha tinha anencefalia quando eu estava com 20 semanas de gestação, e me deram a opção de antecipar o parto ou continuar com a gestação até que eu estivesse pronta. Antecipar o parto nunca passou pela minha cabeça, então eu fui a internet procurar histórias sobre pais que decidiram continuar com a gestação. Me deparei com o site Anencefalia Info, e li todas as histórias.

Depois de ler alguns relatos sobre bebês que viveram por alguns meses até um ano após o nascimento, eu decidi deixar o seu quarto pronto para quando ela nascesse. Eu não sabia que minha filha iria viver por todo o tempo que ela viveu, mas eu acreditava que era possível e eu entreguei todas as minhas preocupações a Deus. Eu pensei que se ela não pudesse sobreviver e vir para casa, eu poderia pelo menos abençoar algum outro bebê recém-nascido de alguma pessoa que estivesse em necessidade, e que eu ficaria bem com isso.

Eu não tive qualquer complicação ou incômodo, nem mesmo azia, até o finalzinho da gestação de Angelia, quando então a minha pressão arterial subiu. Mas não foi nada grave e eu decidi fazer a indução para o parto normal com 40 semanas e 1 dia.

Eu ainda não estava com dilatação, por isso foi feito um procedimento para amolecer o colo do útero e no dia seguinte minha bolsa estourou. Ela chegou 5 horas depois. Eu dei à luz minha primeira e única filha, Angelia Victoria Stevens, em 4 de janeiro de 2012 às 14h. Ela pesava 3 kg e tinha 50 centímetros de comprimento.


Ela estava tão fraca quando a deitaram sobre meu peito que mal conseguia abrir os olhos e muito menos chorar. Dentro de minutos ela começou a ficar corada, mas logo voltava a ficar roxinha. Eu não a amamentei até tarde da noite, porque ela não acordava. Todos os seus sinais vitais eram baixos enquanto estávamos no hospital... A frequência cardíaca ficava na média de 90 bpm, ela tinha a temperatura muito baixa e a respiração fraca. Eles me diziam para nos prepararmos cada vez que ela tinha uma leitura mais baixa dos seus sinais vitais.

Eu não podia acreditar que ela ainda estava viva quando eu a trouxe para casa. E assim que ela chegou em casa, seus sinais vitais começaram a ficar melhores.

Quando ela estava no hospital, a pediatra foi muito negativa. Ela me disse que minha filha não poderia sentir dor ou amor, e que eu não precisava alimentá-la se eu não quisesse. Ela também deu a minha bebê a expectativa de viver de 1 a 2 semanas no máximo, e que nenhum milagre iria mudar isso. Eu mudei de pediatra depois disso.

Eu pensei comigo mesma: "Eu orei tanto para ela vir para casa, que eu nem sequer pensei sobre o que eu deveria fazer em seguida". Eu estava tão nervosa e com medo que eu não conseguia nem dormir. Toda vez que ela fazia um barulho, eu pulava para ver se ela estava bem. Eu não queria nem sair do quarto para comer. Mas quando ela completou uma semana eu comecei a ficar mais relaxada, porque eu descobri o que eu deveria ou não fazer. A cada dia ia se tornando mais fácil de lidar com tudo.

Ela mamou na mamadeira pelos primeiros 6 meses de sua vida, mas só ganhou alguns gramas, porque ela não conseguia manter nada no estômago ou estava cansada demais para se alimentar. Depois que eu passei a dar a ela alimentos pastosos e encontrei a mamadeira ideal, ela ganhou peso rapidamente e também ficou mais forte.


A cada nova consulta médica, seus sinais vitais eram melhores do que antes. Ela balbuciava, sorria, gritava, chorava, franzia a testa, tinha chiliques quando estava com fome, sacudia as pernas, rolava, adorava barulho e massagens.

Ela era muito mimada! Ela sabia quando não estava no colo (risos). Houve momentos em que tive que dormir com ela aninhada em meus braços para só então eu conseguir dormir.

Quando um dia eu percebi que algo não estava bem, eu a levei ao hospital. Eles me disseram que ela não tinha infecção, que apenas estava chegando o seu tempo de partir, então eu a trouxe de volta para casa com oxigênio.

Me certifiquei de tocá-la, beijá-la e dizer a ela o quanto eu a amava mais do que nunca. Eu orei por um milagre e não percebi que ela já era um. Cada segundo que nossos bebês estão vivendo em nossas barrigas ou respirando é um milagre.

Minha filha faleceu em 25 de Novembro de 2012. Ela mudou a minha vida e a de outros para melhor, por causa de sua condição, por isso eu tenho orgulho de dizer: eu sou mãe de um anjo que teve anencefalia.


Candice Stevens, Estados Unidos

3 comentários:

  1. Que história linda e motivadora! Nada supera o amor de mãe e o aconchego do lar!

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  2. Que linda história, tenho muito orgulho dessas mães!!! Bjus Carol

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  3. parabéns que sorte em conviver com seu anjo por todo esse tempo uma benção... bjs fica com Deus

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